segunda-feira, 1 de outubro de 2012

San Pedro de Atacama em 4 dias

Antes de chegar ao Deserto do Atacama...


Terça (07/06/2011)


Depois de 13 horas de ônibus desde Pucón, cheguei à rodoviária de Santiago por volta de meia noite. Peguei um taxi até o aeroporto (só porque não achei nenhum ônibus) e confesso que fiquei p da vida de gastar mais nele do que na passagem de ônibus Pucón–Santiago.  Enfim...vida que segue.


1°dia – quarta (08/06/2011)


Cheguei ao aeroporto de Santiago e logo procurei um locker para deixar o meu mochilão de quase 20kg. Passeei um pouco, visitando as poucas lojas e restaurantes abertos de madrugada e em pouco tempo, decidi me alojar em um banco com vários mochileiros fazendo o mesmo, para dormir até meu check-in, que acabei fazendo às 04h da manhã. Depois do check-in feito, voltei pro meu banco para dormir mais um pouco e só acordei perto da hora de embarque, às 07h.


Peguei o vôo para Calama com a empresa LAN Chile e foi excelente. Pontuais, educados, comidinha boa, enfim, muito confortável. A vista da Cordilheira dos Andes é incrível, assim como a chegada à região desértica, então foi impossível dormir durante o vôo.




[caption id="attachment_404" align="aligncenter" width="690"] Cordilheira de cima[/caption]

[caption id="attachment_405" align="aligncenter" width="690"] Mais cordilheira...agora com neve.[/caption]

Depois de 2 horas, cheguei à Calama. Que breu de lugar! E que calor...rs. O aeroporto é uma pista e uma casa...muito, muito pequeno. Me senti no fim do mundo.




[caption id="attachment_406" align="aligncenter" width="690"] Na pista do aeroporto de Calama[/caption]

Peguei um transfer somente até a rodoviária da cidade, para de lá pegar um ônibus até San Pedro do Atacama. Até existem transfers que levam direto para San Pedro, mas eu quis economizar. Ah...lá na hora tem várias opções com o mesmo preço, então não se preocupe em agendar com antecedência. Cheguei na rodoviária e facilmente comprei o ônibus para San Pedro, que chegou pontualmente. Não consegui dormir e aproveitei as 2 horas de viagem para ouvir um pouco de música e apreciar o visual árido do lugar. Que parada diferente...




[caption id="attachment_407" align="aligncenter" width="690"] Saindo da rodoviária[/caption]

Cheguei em San Pedro e logo fui em busca do meu albergue, que fica muito bem localizado por sinal. A cidade é bem diferente de tudo o que já vi, porque é toda de terra e as casas são feitas com materiais diferentes, extremamente rústicas. Estava quente, mas nada que superasse os 40° do verão no Rio de Janeiro, então tirei de letra. Passei em um mercadinho para comprar uns snacks e água e quase caí para trás com os preços. É muito caro, se comparado ao resto do Chile. Papo de uma água de 2 litros custar quase 7 reais. Sofreu, né? Eu sofri muito, mas preferi comprar algumas garrafas a morrer de desidratação.


Cheguei ao albergue e tchan ran: O meu quarto era muito estranho. Pra começar, 2 treliches enormes, ficando a terceira cama a uns 4 metros de altura. Tratei logo de pegar a cama do meio, porque as de baixo já estavam ocupadas. Como a cidade é toda de terra, é fato que nosso chão do quarto também estava repleto dela. Paciência né? Triste foi colocar minha mochilona tão querida no chão, porque não tinha locker no quarto. As paredes e o teto não são como nas nossas casas aqui no Brasil, bem lisinhas. São feitas de um material que parecia poder abrigar animais, porque tinha falhas, então fiquei bem receosa no início.




[caption id="attachment_408" align="aligncenter" width="517"] Camas...[/caption]

[caption id="attachment_409" align="aligncenter" width="690"] Mochila no chão[/caption]

[caption id="attachment_410" align="aligncenter" width="690"] Parede do quarto[/caption]

O aspecto do lugar é ruim, você se sente pobre, abandonado, mas depois passa essa sensação. Peguei minhas coisas e fui logo para o banheiro tomar banho, afinal meu último banho tinha sido há umas 30 horas. Olha a placa que vi quando cheguei ao box:




[caption id="attachment_426" align="aligncenter" width="517"] Aviso 1[/caption]

[caption id="attachment_427" align="aligncenter" width="690"] O banheiro[/caption]

[caption id="attachment_428" align="aligncenter" width="690"] Aviso 2[/caption]

Tenso né?! Banho rápido, mas pelo menos quente. Ufa! É...apesar de fazer um calor do cão durante o dia, eu gosto de tomar banho quente ou morno...Go figure. rs Depois do banho, falei com a moça da recepção, muito simpática, para saber quais os melhores passeios e respectivos horários. São muitas opções! Impressionante...tem coisa para fazer por uma semana lá. Preciso voltar, porque tive que deixar de lado alguns passeios bem legais.


Como cheguei quase 12h no albergue, só deu para agendar para aquele dia o passeio do Valle da Luna e Valle de la Muerte , para ver o pôr do sol, principalmente. Durou 4 horas o tour e saí com van, apesar de ter uma opção de fazer de bicicleta (quero tentar da próxima vez!).


Paramos em alguns lugares para tirar fotos incríveis. Primeiro no Valle de la Muerte, que fica bem pertinho de San Pedro. Olha que visual legal:




[caption id="attachment_411" align="aligncenter" width="690"] Valle de la Muerte[/caption]

[caption id="attachment_412" align="aligncenter" width="690"] Imensidão[/caption]

Depois seguimos e paramos no que eles chamam de "3 Marias", que é uma espécie de escultura de terra. Eu não consegui visualizar nem 1 Maria, quanto mais 3...usem a imaginação aí:




[caption id="attachment_414" align="aligncenter" width="690"] Achou as 3 Marias?[/caption]

Continuamos na van e dirigimos por mais alguns quilômetros até chegarmos ao Valle de La Luna. Tivemos que subir uma montanha para ver o pôr-do-sol lá de cima, que é simplesmente, breathtaking.Valeu MUITO a pena!




[caption id="attachment_415" align="aligncenter" width="690"] Sentados no topo do morro...[/caption]

[caption id="attachment_416" align="aligncenter" width="690"] A caminhada...[/caption]

[caption id="attachment_417" align="aligncenter" width="690"] Pôr do Sol[/caption]

[caption id="attachment_418" align="aligncenter" width="690"] Mais pôr do sol...[/caption]

[caption id="attachment_419" align="aligncenter" width="690"] E mais...[/caption]

Depois que o sol se pôs, voltamos para a cidade e fui jantar em um restaurante recomendado pelo albergue (não lembro o nome), com uma amiga que fiz no passeio. Comi um espaguei maravilhoso e voltei para o albergue, para dormir para o tour do dia seguinte. Descobri que banho quente só rola durante o dia...a noite, nem pensar. Como estava um frio do cão, tive que dormir relativamente suja, porque meu banho tinha sido antes do passeio.


Ao deitar na cama, me dou conta que dois homens estão RONCANDO muito alto e logo vou em busca do meu iPod, para poder dormir. Dido me ninou muito bem...rs.


2°dia – quinta (09/06/2011)


Acordei relativamente cedo para poder tomar banho quente e tomar o café da manhã, servido ao ar livre, dentro do albergue. Que frio absurdo...devia estar uns 5 graus! =/ Comi tudo o que tinha (ou seja, quase nada) e logo atravessei a rua para comprar mais snacks para o tour do Salar do Tara, que duraria o dia todo. Às 8h em ponto, um carro 4x4 chegou para me buscar.


Começamos a pegar a estrada, com visual lindo, e a cada parada para fotos, sofríamos com o frio que estava fazendo. San Pedro fica a uns 2500 metros acima do nível do mar e estávamos indo para um lugar que fica a quase 5000 metros, então é fato que a temperatura vai diminuindo...  Algumas paradas foram bem rápidas, apenas para registrar o momento, outras um pouco mais demoradas.


Esta estrada é a mesma que as pessoas pegam para ir para a Bolívia, normalmente para visitar o Salar de Uyuni. Tem um visual lindo demais, com muita terra, salares e vulcões. Tudo bem diferente do que já vi ... adorei o passeio, até porque os outros turistas do carro eram bem animados e fomos escutando músicas ótimas (RHCP, Tiesto...), então o dia passou super rápido.




[caption id="attachment_420" align="aligncenter" width="690"] On the road...[/caption]

[caption id="attachment_424" align="aligncenter" width="690"] Visual da estrada...[/caption]

[caption id="attachment_422" align="aligncenter" width="690"] Mais estrada...[/caption]

Depois de muito chão, finalmente chegamos ao Salar. Que lugar irado! Várias formações rochosas enormes e diferentes, antes do Salar itself. É difícil descrever...melhor mostrar as fotos:




[caption id="attachment_431" align="aligncenter" width="690"] Chegando...[/caption]

[caption id="attachment_432" align="aligncenter" width="690"] Símbolo do Salar de Tara[/caption]

[caption id="attachment_433" align="aligncenter" width="690"] Apóstolos, como eles chamam...[/caption]

[caption id="attachment_434" align="aligncenter" width="690"] De perto...[/caption]

[caption id="attachment_435" align="aligncenter" width="690"] De outro ângulo....[/caption]

Depois saimos das formações rochosas e fomos andando para o Salar....




[caption id="attachment_438" align="aligncenter" width="690"] Chegando ao Salar...[/caption]

[caption id="attachment_439" align="aligncenter" width="690"] Visual[/caption]

[caption id="attachment_440" align="aligncenter" width="690"] Pisando no meu primeir salar![/caption]

[caption id="attachment_441" align="aligncenter" width="690"] Várias pocinhas...[/caption]

[caption id="attachment_442" align="aligncenter" width="690"] Poçonas também...[/caption]

[caption id="attachment_443" align="aligncenter" width="690"] Tentativa de uma foto maneira...[/caption]

[caption id="attachment_446" align="aligncenter" width="690"] Lindo demais![/caption]

[caption id="attachment_448" align="aligncenter" width="690"] Demais...[/caption]

[caption id="attachment_449" align="aligncenter" width="690"] Chegando na casinha...[/caption]

Depois de passearmos bastante pela região, fomos almoçar em uma casinha isolada, que nem era restaurante. A comida já estava pronta dentro do carro e só aproveitamos para pegar uma sombrinha e sentarmos um pouco. Não sei se era porque eu estava muito animada, mas achei a comida maravilhosa...rs.


Depois voltamos para o carro e pegamos nosso caminho de volta para a cidade. Fizemos muito rally, o que foi muito, muito legal! Ai de nós se não estivéssemos com carro 4x4.  Achei bem interessante o fato que os carros vão e voltam todos no mesmo horário, porque se tiverem algum problema, podem contar com os outros colegas. Imagina ter um problema e ficar preso por lá, há horas de distância da cidade...perrengue total.


Ao chegar na cidade, saí para jantar com pessoal do tour e comemos uma pizza maravilhosa, mas de novo, não lembro o nome do restaurante (sorry !). Voltei para o albergue exausta e chapei na cama, pensando no tour do dia seguinte.


3°dia – quinta (10/06/2011)


Acordei cedinho de novo, tomei banho, café da manhã e fiquei esperando o pessoal do tour do Salar de Atacama e Lagunas Altiplânicas Eles não foram tão pontuais...acabaram atrasando quase 30 minutos, me deixando em pânico.  Imagina se sou esquecida? =/ Pena que não sei o nome da empresa, porque quem reservou tudo foi a menina do albergue....aiai. Enfim...


Saímos de San Pedro por volta da 9h e pegamos a estrada em direção ao Salar de Atacama. No meio do caminho paramos em Toconao, para ver um oasis de verdade. Muito legal, ó:




[caption id="attachment_452" align="aligncenter" width="690"] Toconao[/caption]

Seguimos a estrada e logo chegamos no Salar de Atacama, que é enormeeee!! Tem uma trilha bem grande por ele, para não pisarmos no próprio salar, então dá para passear bastante e tirar fotos bem legais. Passeando pela trilha, me deparei com uma RAPOSA. Bizarro né!?




[caption id="attachment_453" align="aligncenter" width="690"] Uma raposa no meio de uma enorme salar...[/caption]

Assistimos um vídeo explicativo do Salar bem interessante e depois lanchamos e bebemos muitos líquidos. Ah!! Importante, leve muita água! Eles indicam uma garrafa de 2l por dia de passeio.


Depois seguimos paras as Lagunas Miscanti y Miñiques , que são absurdamente lindas! Que visual maneiro...




[caption id="attachment_454" align="aligncenter" width="690"] Lagunas Altiplanicas[/caption]

[caption id="attachment_455" align="aligncenter" width="690"] Todo mundo na linha...[/caption]

[caption id="attachment_456" align="aligncenter" width="690"] Visual[/caption]

Eles fizeram uma trilha ao redor das lagunas e pedem para que a respeitemos, para que ninguém entre na água e consequentemente, aquele paraíso fique intacto. Superou minhas expectativas.


Ficamos um tempo andando por elas e apreciando o visual, até que voltamos para o ônibus em direção a San Pedro.


Cheguei ao albergue e fui direto tomar banho, porque ainda tinha água quente. Saí para tomar Pisco e jantar com o guia e uns amigos do albergue! Que noite agradável =)  Voltei cedo para o albergue, porque às 4h da madrugada, minha van para o passeio dos Geysers iria passar para me buscar...


4°dia – sexta (11/06/2011)


Já dormi com todas as roupas possíveis para acordar às 4h da manhã e só ter que escovar os dentes e andar até a van. Que decisão sábia! Um frio absurdo, um cansaço no corpo e uma molezaaaa, que realmente só deu para fazer essas duas coisas que citei . Coloquei lanches na mochila, assim como minha água, e tratei de sentar em uma cadeira do ônibus e voltar a dormir.


A excursão sai assim tão cedo porque o lugar dos geysers fica um pouco distante da cidade. Acho que fica a umas 2 horas de viagem de carro...o que foi excelente, porque dormi que nem pedra. Chegamos no parque dos geysers e nos deparamos com um lugar bem cheio de visitantes. Vários ônibus, vans e carros comuns estavam estacionados na frente do parque.


Começamos a sair do ônibus e percebemos que a temperatura realmente era baixa! A sensação térmica era de - 20°... Menos vinte graus! Tem noção do que é isso!? É frio pra burro!!!  Foi muito ruim este choque térmico. Começamos a andar pelas trilhas do parque para ver os mini geysers saindo do chão ...que parada louca!  O cheiro do lugar é um pouco estranho, confesso, mas a experiência de ver águas borbulhando por todos os lugares vale cada segundo fedido friorento.




[caption id="attachment_458" align="aligncenter" width="690"] Meu primeiro geyser[/caption]

[caption id="attachment_459" align="aligncenter" width="690"] Efeito bem maneiro...[/caption]

A grande atração desse lugar é um geyser que espirra água pra muito alto, com uma determinada frequência. Esse momento foi demais! Depois dele, fiz a besteira de me aquecer com uns vapores que estavam vem quentinhos, mas adivinha só?!  Logo depois de sair do vapor e encarar o frio, a água se condensou e passei muito, muito, muito frio!


Fiz a besteira de ir com tênis não impermeável, então quando saí do vapor quentinho, me dei conta que meu pé estava encharcado e com o vento frio passando, eu fiquei com o pé praticamente congelado. Pior sensação do mundo! Enquanto meu grupo tomava o café da manhã (leite e ovos quentes, aquecidos nos vapores dos geysers) no parque, olhando o visual, pedi para o guia abrir o ônibus para eu ficar lá dentro, aquecida. Como eu tremia... tomei café da manhã lá dentro e quando senti que estava me sentindo melhor, decidi sair para completar o passeio.


Continuamos andando pelas trilhas e visitamos piscinas aquecidas, com muitas pessoas tomando banho. Deu até vontade porque a água realmente era muito quente, mas só de pensar em tirar a roupa e ficar de biquini naquele frio, desanimei em 2 segundos. Fiquei andando pelas piscinas, tirando fotos, aquecendo a mão e o corpo com o vapor, até que me dei conta de avisos bem sérios em determinados locais.  Algumas pessoas já morreram queimadas naquela região, porque ultrapassaram os limites das cercas que o parque construiu, caindo em águas muito, muito quentes. Fiquei bolada com esta informação...


Saímos do parque dos geysers e fomos para uma vilazinha onde é possível comer carne de llama! Sim, isso mesmo! Churrasquinho de carne de llama, aquele bicho horroroso, fedido e peludo famoso da América do Sul.  Apesar da fila enorme e do preço caro do churrasquinho, foi o MELHOR CHURRASQUINHO da minha vida! Valeu muito, muito a pena.




[caption id="attachment_457" align="aligncenter" width="690"] Bicho fedido[/caption]

[caption id="attachment_460" align="aligncenter" width="690"] Muito, muito, muito bommmmmm![/caption]

Comi 2 inteiros e fiquei querendo mais depois que já estávamos no ônibus voltando para a cidade. Too late...


Cheguei na cidade e comecei a preparar as minhas coisas para fazer o check out do meu hostel. Tomei meu último banho de 3 minutos, arrumei a mochila e fiquei a espera do meu transfer para a cidade de Cálama, agendado no próprio hostel. Enquanto ele não chegava, aproveitei para fazer compras na cidade de lembrancinhas fofas e caras. Quando chegou, percebi que os outros passageiros não eram nem um pouco mochileiros, com suas malas chiques e poses de pessoas com grana. Enfim...me senti deslocada um pouco, mas ao mesmo tempo feliz de ter aquele conforto todo.


Chegamos na hora do nosso check in, mas o avião atrasou um pouco. Dormi que nem um anjo nas duas horas de vôo, chegando em Santiago somente às 21h.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pucón em 5 dias e meio

1°dia – quinta (02/06/2011)


Depois de 6h de viagem de ônibus desde Puerto Varas, cheguei à rodoviária de Pucón. Que cidadezinha pequena e fofa!




[caption id="attachment_372" align="aligncenter" width="690"] Chegando em Pucón...[/caption]

Logo fui abordada por vários representantes de agências de turismo, me oferecendo inúmeros passeios e hospedagens, mas como estava com uma mochilona de quase 20kg nas costas, achei mais pertinente encontrar o meu albergue antes e depois decidir com calma o que fazer.




[caption id="attachment_373" align="aligncenter" width="690"] A caminho do albergue...[/caption]

Segui andando pela cidade e logo me deparei com um cão fofíssimo, que me acompanhou por todo o percurso até o albergue, que deve ter durado uns 30 minutos. Senti ali que eu tinha alguma conexão com a cidade, talvez de vidas passadas.




[caption id="attachment_374" align="aligncenter" width="690"] Best friend for 30 minutes[/caption]

Cheguei ao meu albergue e fiquei muito contente com a minha escolha (pena que isso mudou depois). Que lugar aconchegante!Deixei as minhas coisas no quarto (duas camas e um banheiro) e perguntei para o recepcionista sobre os passeios e as empresas de turismo da cidade. Decidi sair andando por ela e acabei voltando para a agência do cara que me abordou na rodoviária. Ele me ofereceu dois passeios que me pareceram excelentes: Escalada no vulcão Villarica e passeios para Los Pozones, lugar repleto de piscinas com águas termais. Achei excelente e logo reservei os dois...


Passeei mais um pouco pela cidade, comprei lanche no supermercado e voltei para meu albergue, porque já estava anoitecendo e o pessoal do tour da escalada do vulcão ia passar lá para me pegar, para fazer testes de roupas de escalada.




[caption id="attachment_375" align="aligncenter" width="590"] Lago e vulcão atrás das nuvens, ao anoitecer...[/caption]

Eles chegaram pontualmente e logo me levaram para agência, onde tive que experimentar roupa e bota para escalada. Bem legal a experiência! Voltei, tomei banho (quente apenas por 5 minutos, depois gelado /= ! ) e chapei na cama, porque sabia que teria que acordar cedo no dia seguinte, por causa da escalada.


2°dia – sexta (03/06/2011)


Acordei cedinho (não lembro a hora) e meu café da manhã estava pronto. Infelizmente não tinha ninguém no albergue, e por ninguém, eu me refiro a pessoas na recepção e hóspedes. Estava all by myself, o que foi muito estranho.


A van da excursão chegou e logo me deparei com alguns brasileiros aventureiros também, animados com a experiência de escalar um vulcão repleto de neve recente ( havia caído na semana anterior). Dirigimos até a base do vulcão e assim que descemos da van, nos demos conta de como ele era alto e estava frio. Com dois guias e umas 10 pessoas, começamos a subir, subir, subir...




[caption id="attachment_376" align="aligncenter" width="690"] Pronta para a aventura...[/caption]

A neve estava muito fofa e o ângulo da trilha era bem íngreme, o que me fez morrer de cansaço nos 10 primeiros minutos de subida. A sorte é que outras meninas que estavam no grupo estavam em pior forma do que eu ( \o/) e não passei tanto vexame. Decidimos separar o grupo em 2, pois os ritmos das pessoas eram bem diferentes. Fiquei no grupo dos mais lerdos, mais fora de forma, mas continuei subindo, devagar e sempre.




[caption id="attachment_377" align="aligncenter" width="690"] Subindo, subindo, subindo...[/caption]

Parei várias vezes para tirar fotos do visual lindíssimo, mas confesso que foram mais para descansar do que pelas fotos mesmo... De repente, o frio que estava sentindo passou a ficar um calor insuportável e deu vontade de arrancar todo aquele trambolho de roupas de cima de mim. Pena que não foi possível...só deu para arrancar as luvas e tirar o capuz.




[caption id="attachment_378" align="aligncenter" width="690"] Visual durante subida pelo vulcão[/caption]

Subimos, subimos e subimos até que nos deparamos com uma estação de teleférico desativada. Decidimos parar por ali mesmo para descansar. Ficamos muito tempo ali, curtindo o visual, brincando na neve e conversando sobre as experiências de viagens de cada um. Acho que passamos umas 3 horas para subir até ali, 2 horas conversando e descansando e depois mais 1 hora andando por ali perto. Fomos até uma área onde deu pra ver os efeitos das lavas das erupções de 1970 e 1984, que destruíram uma estação de teleférico todinha.




[caption id="attachment_379" align="aligncenter" width="690"] Voltando a ser criança[/caption]

Depois que o grupo que conseguiu subir até o topo nos encontrou na descida, descemos todos juntos. Depois que entendi que ficamos parados tanto tempo ali para esperá-los, mas digo que valeu cada segundo. A vista vale muito, muito, MUITO a pena! Na descida, foi possível usar uma placa para fazer ski bunda na neve...consegui descer assim por uns 40 minutos, o que foi alucinante. Em alguns lugares, dava para pegar bastante velocidade, em outros, nem tanto. Amei a experiência!




[caption id="attachment_380" align="aligncenter" width="690"] Descendo, descendo, descendo...[/caption]

Chegamos na van e ao voltarmos para a cidade nos deparamos com o Sol refletindo no lago da cidade...vista incrível, perfeita para fechar o tour com chave de ouro. Voltei para o albergue morta...só deu tempo de entrar na internet para dar notícias, tomar banho (quente de novo somente por 5 minutos) e lanchar no quarto assistindo novela (sim, novela brasileira em espanhol!) até dormir, quentinha, graças a um aquecedor só pra mim, apesar de ser a gás. (Que medo que deu de morrer com o gás...tratei de desligar assim que percebi que ia dormir)


3°dia – sábado (04/06/2011)


Acordei não muito cedo e me deparei com o albergue entregue às moscas. Não havia ninguém na recepção, na área social e nem no jardim. Eu, eu e eu, somente. A lareira não estava acesa então estava um frio absurdo dentro do albergue. Fiquei esperando alguém aparecer para fazer meu check out e adivinha só? Só apareceram por volta de 12h...a sorte era que meu passeio para as termas Los Pozones só sairia por volta de 14h.


Peguei as minhas roupas que tinha deixado para lavarem, arrumei minha mochilona e saí dali assim que pude, aliviada. Andei em direção à central de turismo da cidade, perguntando por outros albergues/hotéis para uma noite apenas, com preço acessível. Indicaram-me o alberguedo mesmo dono da empresa de turismo que havia contratado para subir o vulcão e fazer o passeio das termas. Achei ótimo, porque já conhecia o dono e fui direto falar com ele.




[caption id="attachment_381" align="aligncenter" width="690"] Uma das ruas perto da agência de viagens..[/caption]

Cheguei lá e peguei um quarto privativo, porque os outros compartilhados já estavam ocupados. Foi bom e ruim, porque ganhei privacidade e um baita conforto, apesar de ter ficado mais caro do que eu queria. Deixei minha mochilona, aproveitei para lanchar em um restaurante por perto e quando deu a hora, fui para a agência, para fazermos o passeio para as termas.


Meu grupo era composto de 5 americanos e 1 francês. Apenas o francês falava e entendia espanhol. Os americanos coitados, ficavam perdidos com as explicações do nosso guia, que não sabia uma palavra em inglês. O pior é que eles haviam pedido para o dono da agência que o guia falasse inglês, mas pelo visto não foram atendidos. Eu e o francês ficamos como tradutores do grupo, o que foi uma experiência bem interessante, já que acabamos nos aproximando, talvez por gratidão deles.




[caption id="attachment_383" align="aligncenter" width="690"] Estrada com caminho da lava[/caption]

Na estrada, foi possível ver o estrago feito pelo rio de lavas da erupção de 1984. O guia fez questão de dizer que podia haver uma erupção a qualquer momento, porque o vulcão está ativo ainda. A cidade é totalmente equipada com sistemas de monitoramento e alarme, em caso de um incidente como este. Confesso que fiquei imaginando a cena de uma erupção comigo ali.


Paramos primeiro para visitar Ojos del Caburga, uma cachoeira com água dos glaciares, que forma lagos com uma cor azul lindíssima. Dá uma olhada!




[caption id="attachment_382" align="aligncenter" width="690"] Água azul de Ojos del Caburga[/caption]

[caption id="attachment_384" align="aligncenter" width="690"] Cachoeirinha[/caption]

Depois seguimos para um lago, mas como o tempo estava nublado, o visual ficou um pouco comprometido. Talvez fosse possível ver o topo das montanhas com neve no topo ou até mesmo algum vulcão, mas não conseguimos ver nada.




[caption id="attachment_385" align="aligncenter" width="690"] Praia do lago...[/caption]

Seguimos a estrada para as termas Los Pozones e em pouco tempo chegamos nela.




[caption id="attachment_386" align="aligncenter" width="690"] Finalmente![/caption]

São 7 piscinas termais, com temperaturas que variam bastante e o melhor: há um rio com água estupidamente gelada (das geleiras), onde é possível brincar de entrar na água fria e depois na quente. Eu já estava com muito frio, mesmo na piscina quente, então nem ousei ir para o rio...meus colegas de tour fizeram isso e acharam o máximo.




[caption id="attachment_387" align="aligncenter" width="690"] Piscinas vistas de cima...[/caption]

A experiência de tomar banho em uma piscina totalmente natural, com água quente saindo do solo é muito bacana. Valeu qualquer perrengue que passei no mochilão inteiro. Relaxei bastante...relaxei tanto, mas tanto, que fiquei fraca e fui obrigada a sair da piscina, para meu organismo voltar ao normal. Eles têm placas lá que dizem para as pessoas não ficarem com a cabeça dentro d’água por muito tempo e nem ficarem nas piscinas por mais de 15 minutos. Eu até li esses avisos, mas acabei perdendo a hora lá dentro...




[caption id="attachment_388" align="aligncenter" width="690"] Piscininha[/caption]

O bacana do lugar é que as piscinas são bem próximas umas das outras e entre elas, tem uma casinha de madeira, sem muita estrutura, onde é possível trocar de roupa e ir ao banheiro. Coisa bem rustica, mas muito agradável. Valeu o passeio!




[caption id="attachment_389" align="aligncenter" width="690"] Piscininha com vestiário em cima...[/caption]

Voltamos para a van e seguimos para a cidade. Chegamos no albergue cansados, mas nem tanto, porque logo marcamos de sair para jantar ali por perto, em um restaurante indicado pelo dono do albergue.  Que jantar delicioso! Bebemos uns piscos e voltamos bem alegres para o albergue...dormi tão bem.... =)


4°dia – domingo (05/06/2011)


Acordei e tirei o dia para passear na cidade, com um amigo que fiz no albergue, chileno. Passeamos por toda a cidade e ficamos bastante tempo na praia do lago, vendo o vulcão com a neve eterna em cima. Depois almoçamos em um restaurante especializado em hamburguer muito, muito bom!




[caption id="attachment_390" align="aligncenter" width="690"] Vista da praia do lago...[/caption]

Encontramos um casal de amigos dele e ficamos boa parte do dia conversando, apesar de eu só entender o que eles falavam quando eles diminuíam o ritmo...eita sotaque difícil!


A noite fomos no supermercado e compramos comidas para cozinharmos no albergue, além de uma garrafa de pina colada.




[caption id="attachment_395" align="aligncenter" width="690"] Dinner![/caption]

Depois tomei um banho quente maravilhoso (finalmente de 30 minutos!!), fui dormir em uma cama super cozy, em um quarto com calefação perfeita. Esse albergue foi um achado!


5°dia – segunda (06/06/2011)


Acordei e logo saí para comprar comidinhas para o café da manhã. Fui dar uma volta na cidade e acabei indo visitar o cemitério da cidade, que tem uma vista bem bacana.




[caption id="attachment_394" align="aligncenter" width="690"] Vista do cemitério...[/caption]

[caption id="attachment_393" align="aligncenter" width="690"] Outro ângulo da vista do cemitério...[/caption]

Depois de lá, passeei por umas lojas de artesanato e aproveitei para fazer umas comprinhas, bem básicas mesmo. Depois entrei em um restaurante com comida muito boa (mas não consigo lembrar o nome) e  surpresa! Estava passando novela da Rede Globo em espanhol...rs. Me senti em casa!




[caption id="attachment_392" align="aligncenter" width="690"] Novela brasileira no interior do Chile.[/caption]

Descobri que um vulcão bem pertinho de Pucón entrou em erupção e  logo fui dar notícias para minha família. Coitados...ficaram super preocupados. Esse vulcão causou um tumulto enorme, deixando Bariloche por exemplo, repleta de cinzas. Vários vôos das redondezas foram cancelados...a parada foi séria mesmo.


Depois passei na rodoviária e comprei meu ônibus para Santiago, para o dia seguinte, meio dia. Voltei para o albergue e aproveitei para arrumar minha mochila, tomar outro banho gostoso e me esparramar na cama, aproveitando os últimos momentos de luxo da viagem. Comprei umas coisinhas para comer no quarto e peguei meu guia para pensar nos passeios do Deserto do Atacama, meu próximo destino neste mochilão.




[caption id="attachment_391" align="aligncenter" width="690"] Passeando pela cidade...[/caption]

A noite passou bem rápido...


6°dia – terça (07/06/2011)


Acordei, saí para tomar café da manhã e voltei para o albergue para pegar minha mochilona e fazer o check-out. Peguei um taxi compartilhado até a rodoviária e na hora marcada, o meu ônibus chegou. Entrei, me alojei bem e segui viagem, por 13 horas. Não estava com um pingo de sono, então aproveitei para ver a estrada, que confesso não ser nada demais. Passei por várias cidades, mas a que mais curti foi Los Angeles, que era bem diferente da sua homônima mais famosa. Ô cidadezinha feia...rs. Ouvi todo o meu iPod, revi as minhas fotos, li todo o guia de San Pedro de Atacama e ainda assim, a viagem não parecia ter fim. Só me restou dormir...rs.